20 novembro 2007
15 novembro 2007
Aflição de ser eu e não ser outra
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera
(A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera
Não saber se se ausenta ou se te espera
Aflição de te amar, se te comove
E sendo água, amor, querer ser terra
*
"Aflição", de Hilda Hilst
10 novembro 2007
Canto Nietzschiano*
Gustavo de Castro
E aquele, entre os homens, que não quer voltar ao pó,
É preciso antes que comece a cantar em qualquer canto
um canto de dor.
E aquele, entre os homens, que não quer gestar intrigas,
É preciso antes que aprenda a calar em todas as línguas.
E aquele, entre os homens, que não quer morrer de solidão,
É preciso antes que comece a beijar todas as bocas.
E aquele, entre os homens, que não quer morrer sem verdade,
É preciso antes que aprenda a acreditar em todas elas.
E aquele, entre os homens, que não quer morrer de tédio,
É preciso antes que aprenda a ser todos de todas as maneiras.
E aquele, entre os homens, que quer permanecer íntegro,
É preciso antes que saiba silenciar todas as falas.
E aquele, entre os homens, que quer permanecer sensível,
É preciso antes que saiba sentir tudo de todas as maneiras.
E aquele, entre os homens, que quer permanecer são,
É preciso antes que saiba ter todas as loucuras.
*declamado por Antonio Abujamra, em 07/11, no programa "Provocações"
Gustavo de Castro
E aquele, entre os homens, que não quer voltar ao pó,
É preciso antes que comece a cantar em qualquer canto
um canto de dor.
E aquele, entre os homens, que não quer gestar intrigas,
É preciso antes que aprenda a calar em todas as línguas.
E aquele, entre os homens, que não quer morrer de solidão,
É preciso antes que comece a beijar todas as bocas.
E aquele, entre os homens, que não quer morrer sem verdade,
É preciso antes que aprenda a acreditar em todas elas.
E aquele, entre os homens, que não quer morrer de tédio,
É preciso antes que aprenda a ser todos de todas as maneiras.
E aquele, entre os homens, que quer permanecer íntegro,
É preciso antes que saiba silenciar todas as falas.
E aquele, entre os homens, que quer permanecer sensível,
É preciso antes que saiba sentir tudo de todas as maneiras.
E aquele, entre os homens, que quer permanecer são,
É preciso antes que saiba ter todas as loucuras.
*declamado por Antonio Abujamra, em 07/11, no programa "Provocações"
26 outubro 2007
16 outubro 2007
08 outubro 2007
03 outubro 2007
(...)“Os pecados mortais clamavam em mim por mais vida, e clamavam com vergonha, os pecados mortais em mim pediam o direito de viver. Minha gula pelo mundo: eu quis comer o mundo, e a fome com que nasci pelo leite, essa fome quis se estender pelo mundo, e o mundo não se queria comível. Ele se queria comível, sim, mas para isso exigia que eu fosse comê-lo com a humildade com que ele se dava. Mas a fome violenta é exigente e orgulhosa, e quando se vai com orgulho e exigência o mundo se transmuta em duro aos dentes e à alma. O mundo só se dá para os simples, e eu fui comê-lo com o meu poder e já com esta cólera que hoje me resume. E quando o pão se virou em pedra e ouro aos meus dentes, eu fingi por orgulho que não doía, eu pensava que fingir força era o caminho nobre de um homem e o caminho da própria força. Eu pensava que a força é o material de que o mundo é feito, e era com o mesmo material que eu iria a ele. E depois foi quando o amor pelo mundo me tomou: e isso já não era a fome pequena, era a fome ampliada. Era a grande alegria de viver - e eu pensava que esta, sim, é livre. Mas como foi que transformei, sem nem sentir, a alegria de viver na grande luxúria de estar vivo? No entanto, no começo era apenas bom e não era pecado. Era um amor pelo mundo quando o céu e a terra são de madrugada, e os olhos ainda sabem ser tenros. Mas eis que minha natureza de repente me assassinava, e já não era uma doçura de amor pelo mundo, era uma avidez de luxúria pelo mundo. E o mundo de novo se retraiu, e a isso chamei de traição. A luxúria de estar vivo me espantava na minha insônia, sem eu entender que a noite do mundo e a noite do viver são tão doces que até se dorme, que até se dorme, meu Deus. E a água, na minha luxúria de viver, a água se derramava pelos dedos antes de chegar à boca. E eu amava o outro ser com a luxúria de quem quer salvar e ser salvo pela alegria. Eu não sabia que só o meio-termo não é pecado mortal, eu tinha vergonha do meio-termo. Os pecados são mortais não porque Deus mata, mas porque eu morro deles. Eu é que não pude arcar com os pecados mortais. O que não consegui com eles, é isso que hoje me violenta e a que respondo com violência."(...)
UMA IRA, em "Para não esquecer", Clarice Lispector
UMA IRA, em "Para não esquecer", Clarice Lispector
20 setembro 2007
Perdeu o sonho e sorriu. Abriu a gaiola e ele escapou: seu lugar era o céu. Pés no chão, cabeça pousada no abraço, fincada num espaço que se habita. Perdeu o céu e ganhou um chão: que parecia uma porta ou um sofá para se sentar. E o viu ao seu lado, refletidos na tela, e os olhares se cruzando e ela tentando fugir e sumir mas ele não deixava e a criava num lugar no espaço seu... O tempo corria rápido no peito e no silêncio era suspenso e contava o que não se pode pedir... “Mas eu não quero brincar, só quero ficar e pousar no seu abraço que me protege e me deixa voar no corpo seu que me cobre e encolhe meus sonhos por me dar a vida que espera lá fora enquanto estamos brincando que tudo existe, quando estamos a sós...”
14 setembro 2007
03 setembro 2007
Respinga
O resmungo
Da voz que não cansa
De respirar
Respinga
E quase molha
Um corpo que almeja
O desejo de transpirar
Resmunga
Desdenha
Desenha
O chão que sustenta
E suspende meu corpo
No ar
Explica
Suscita
Me excita
E minta
Que o pavor da tua voz
É me ver, de vez,
Entrar
Murmura
Teu grito
Me cala com o açoite
Que é o silêncio
E resmunga
E respinga
A dor do teu corpo
Ao me entregar
O resmungo
Da voz que não cansa
De respirar
Respinga
E quase molha
Um corpo que almeja
O desejo de transpirar
Resmunga
Desdenha
Desenha
O chão que sustenta
E suspende meu corpo
No ar
Explica
Suscita
Me excita
E minta
Que o pavor da tua voz
É me ver, de vez,
Entrar
Murmura
Teu grito
Me cala com o açoite
Que é o silêncio
E resmunga
E respinga
A dor do teu corpo
Ao me entregar
30 agosto 2007

“Procelária”
Sophia de Mello Breyner- 1967
É vista quando há vento e grande vaga
Ela faz o ninho no rolar da fúria
E voa firme e certa como bala
As suas asas empresta à tempestade
Quando os leões do mar rugem nas grutas
Sobre os abismos passa e vai em frente
Ela não busca a rocha, o cabo, o cais
Mas faz da insegurança sua força
E do risco de morrer, seu alimento
Por isso me parece imagem justa
Para quem vive e canta no mau tempo
24 agosto 2007
A mulher tem que ter coragem para se entregar porque toda entrega é um ato artístico. E a arte não é feita assim, de qualquer jeito. O artista espera. Se inspira. É fecundado. Gesta. Faz nascer. Alimenta. A natureza da mulher é ontologicamente artística. Talvez venha daí a pouca visibilidade da mulher na arte, ao longo da história. As obras femininas são expressas cotidianamente nos bastidores. Há tempos já intuo que uma das diferenças marcantes entre homem e mulher é a questão do tempo. A mulher se demora mais, o tempo da gestação... Faz sentido isso? Talvez. Taí um tema para um bela tese.
Fim do meu inferno astral, tempo de eu aniversariar.
E eu nasci no Dia Internacional da Igualdade da Mulher: intrigante isso.
Fim do meu inferno astral, tempo de eu aniversariar.
E eu nasci no Dia Internacional da Igualdade da Mulher: intrigante isso.
10 agosto 2007
"Agora, para romancear a vida, não é preciso encontrar destinos grandiosos. Basta enxergar o detalhe que sempre está presente num canto escuro da realidade cotidiana, ao alcance de uma ampliação fotográfica."
.
Contardo Calligaris
em seu artigo sobre o cineasta morto Michelangelo Antonioni,
publicado na Ilustrada, na Folha de São Paulo, em 09/08/07
08 agosto 2007
31 julho 2007
16 julho 2007
PIRATA
"Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
Gosto de uivar no vento como os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo desse sonho e nunca durmo."
Sophia de Mello Breyner
declamada por Maria Bethânia
no "Mar de Sophia"
"Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
Gosto de uivar no vento como os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo desse sonho e nunca durmo."
Sophia de Mello Breyner
declamada por Maria Bethânia
no "Mar de Sophia"
03 julho 2007
27 junho 2007

Cais
Milton Nascimento/Ronaldo Bastos
Milton Nascimento/Ronaldo Bastos
Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar
25 junho 2007
“É assim porque escolhemos viver na montanha-russa...”, ele disse. Era de uma clareza estranha, talvez eu começasse a me ver de fora. O olhar que eu buscava estava em mim, assim como o filme que se assiste no momento da morte... os momentos indo como a coluna se recompondo vértebra a vértebra e um fio dourado as puxando, alinhando o que sustenta. Talvez da forma inversa, mas talvez seja assim... da transcendência à solidão à liberdade ao encontro ao retorno à luz ao natural. Ir para voltar e dar o desfecho e o sentido e o sabor de um instante que se prolonga, a vida ávida. Eu era tocada, assim como tudo mais que é criado por mãos que tateiam dando a forma..., e tudo é. Se o tudo existisse, poderia ter o meu nome e ser aquele dia... mas faltou você.
21 junho 2007
UM PATO FEIO
Mas foi no vôo que se explicou seu braço desajeitado: era asa. E o olho um pouco estúpido, aquele olhar estúpido dava certo nas larguras. Andava mal, mas voava. Voava tão bem que até arriscava a vida, o que era um luxo. Andava ridículo, cuidadoso. No chão ele era um paciente.
Clarice Lispector, em "Para não esquecer"
Mas foi no vôo que se explicou seu braço desajeitado: era asa. E o olho um pouco estúpido, aquele olhar estúpido dava certo nas larguras. Andava mal, mas voava. Voava tão bem que até arriscava a vida, o que era um luxo. Andava ridículo, cuidadoso. No chão ele era um paciente.
Clarice Lispector, em "Para não esquecer"
16 junho 2007
"Falta tanta coisa na minha janela
Como uma praia
Falta tanta coisa na memória
Como o rosto dela
Falta tanto tempo no relógio
Quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência
Que me desespero
Sobram tantas meias-verdades
Que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos
Que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço
Dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer
Que nunca consigo
Sei lá,
Se o que me deu foi dado
Sei lá,
Se o que me deu já é meu
Sei lá,
Se o que me deu foi dado ou se é seu
Sei lá... sei lá... sei lá....
Vai saber,
Se o que me deu , quem sabe?
Vai saber,
Quem souber me salva
Vai saber,
O que me deu, quem sabe?
Vai saber,
Quem souber me salva..."
Sobra tanta falta
Teatro Mágico
Como uma praia
Falta tanta coisa na memória
Como o rosto dela
Falta tanto tempo no relógio
Quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência
Que me desespero
Sobram tantas meias-verdades
Que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos
Que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço
Dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer
Que nunca consigo
Sei lá,
Se o que me deu foi dado
Sei lá,
Se o que me deu já é meu
Sei lá,
Se o que me deu foi dado ou se é seu
Sei lá... sei lá... sei lá....
Vai saber,
Se o que me deu , quem sabe?
Vai saber,
Quem souber me salva
Vai saber,
O que me deu, quem sabe?
Vai saber,
Quem souber me salva..."
Sobra tanta falta
Teatro Mágico
15 junho 2007
12 junho 2007
Sua voz a constrangia, por isso permanecia calada. Não se atrevia a quebrar o silêncio. Nada, nada poderia quebrar. Ao redor, tudo cristal- o barulho todo cristalizado: o silêncio. Calada, ouvia vozes fundidas. Fluía truncada, trocada por ela, por ele, “essas trocas fáceis...”- como se fosse fácil trocar. Sabia que não e compreendia, como se compreender a tornasse mais real, mas sabia que não e calava. Muda, queria também não ter olhos e queria não ter modos e formas: e fundir, fugir, latir- como um cão sem dono, sua forma original. Entre gente correndo incerto comendo credos restos com dentes com medo, completo.
11 junho 2007
07 junho 2007
01 junho 2007
29 maio 2007
28 maio 2007
26 maio 2007
O seu olhar lá fora
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu
O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu
Onde a brasa mora
E devora o breu
Como a chuva molha
O que se escondeu
O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu
O seu olhar agora
O seu olhar nasceu
O seu olhar me olha
O seu olhar é seu
O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu
O seu olhar- Arnaldo Antunes
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu
O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu
Onde a brasa mora
E devora o breu
Como a chuva molha
O que se escondeu
O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu
O seu olhar agora
O seu olhar nasceu
O seu olhar me olha
O seu olhar é seu
O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu
O seu olhar- Arnaldo Antunes
20 maio 2007
16 maio 2007
14 maio 2007
11 maio 2007
Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua se formando como um feto
sereno confortável amado completo
sem chão sem teto sem contato com o ar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo dágua por encanto sem sorriso e sem pranto
sem lamento e sem saber o quanto
esse momento poderia durar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua ficaria para sempre ficaria contente
longe de toda gente para sempre
no fundo do mar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo dágua protegido salvo fora de perigo
aliviado sem perdão e sem pecado
sem fome sem frio sem medo sem vontade de voltar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo d'água
Arnaldo Antunes
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua se formando como um feto
sereno confortável amado completo
sem chão sem teto sem contato com o ar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo dágua por encanto sem sorriso e sem pranto
sem lamento e sem saber o quanto
esse momento poderia durar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua ficaria para sempre ficaria contente
longe de toda gente para sempre
no fundo do mar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo dágua protegido salvo fora de perigo
aliviado sem perdão e sem pecado
sem fome sem frio sem medo sem vontade de voltar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo d'água
Arnaldo Antunes
09 maio 2007
07 maio 2007
Desejo que reluz e não acende
Um corpo sem brilho, opaco
Mantendo-o intacto
No interior de um templo abandonado
Que dá a luz aos sonhos
Vívidos no breu
Onde se protegem e pedem
Para não serem encontrados
Para serem iluminados
Pelo desejo que incorpora
Dando a vida
Numa cidade lúcida
Onde vive a morte
Que dá o norte
Ao que brilha e grita
Num corpo que deseja
Dar a luz
Um corpo sem brilho, opaco
Mantendo-o intacto
No interior de um templo abandonado
Que dá a luz aos sonhos
Vívidos no breu
Onde se protegem e pedem
Para não serem encontrados
Para serem iluminados
Pelo desejo que incorpora
Dando a vida
Numa cidade lúcida
Onde vive a morte
Que dá o norte
Ao que brilha e grita
Num corpo que deseja
Dar a luz
Segue o teu destino
Rega as tuas plantas
Ama as tuas rosas
O resto é a sombra
De árvores alheias
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios
Suave é viver só
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses
Vê de longe a vida
Nunca a interrogues
A resposta está além dos deuses
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração
Os deuses são deuses
Porque não se pensam
Segue o teu destino
(Sueli Costa sobre "Para ser grande", poema de Ricardo Reis)
Rega as tuas plantas
Ama as tuas rosas
O resto é a sombra
De árvores alheias
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios
Suave é viver só
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses
Vê de longe a vida
Nunca a interrogues
A resposta está além dos deuses
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração
Os deuses são deuses
Porque não se pensam
Segue o teu destino
(Sueli Costa sobre "Para ser grande", poema de Ricardo Reis)
02 maio 2007
29 abril 2007
Essa informação me impressionou: hoje existem aproximadamente 6,5 bilhões de rostos no mundo. Se parássemos para olhar, por um segundo, para cada um, demoraríamos 207 anos, sem dormir... Multidão: quantas histórias, quantos caminhos, quantas possibilidades.... Quantos mundos! Muitas guerras, muitos encontros, tantos confrontos, tantas comunhões. Habitamos um mesmo mundo, que são vários, com suas intersecções e suas falhas de comunicação. Diversas vozes, diferentes olhares, inúmeras feições esculpidas em milhões de rostos que pedem, querem, temem e expressam o que parece tão particular mas é tão comum. Rostos querem ser olhados- por mais de um segundo- querem ser mirados, querem ter a quem perguntar o que se sabe que não tem resposta... Parte do mundo, está o meu mundo- e esse blog dele faz parte há um ano. De alguma forma, abri uma porta do meu mundinho, para mim e para quem o olha. Não sei para quem falo, não sei quem o lê, mas sei que eu preciso dizer. Muitas vezes, aqui, digo para mim o que eu preciso escutar ou o que eu não quero falar; outras falo para um rosto em particular, que me toca ou deixa de me tocar; outras, para um outro distante tão íntimo que o seu rosto some por estar tão próximo de mim... Escrever é dizer e escutar. É mostrar o rosto para outros rostos, para olhar e ser olhado.
Leia-me, silencie-se, grite, encontre-me, discorde, perca-me, mas ouça:
Leia-me, silencie-se, grite, encontre-me, discorde, perca-me, mas ouça:
Olhe, olhe para mim!
(Ser-eníssima: ser-infinitos-rostos-nesses-mundos-por-aí)
(Ser-eníssima: ser-infinitos-rostos-nesses-mundos-por-aí)
26 abril 2007
Dorme, menina
Que com o sono, o sonho vem
Sossega o cansaço do corpo
Que a noite traz o conforto
Ao lhe dar um abraço
Devolvendo o que de dia
Você acha que perdeu
Assim, no escuro da noite
Você volta a ser forte
Por perceber que a sorte
Está nos braços seus
Sossega, menina
Que um segredo da vida
Você já percebeu:
De dia, é preciso a vigília
E de noite, a calmaria
Para você voar longe
Para onde seu coração
prometeu
Que com o sono, o sonho vem
Sossega o cansaço do corpo
Que a noite traz o conforto
Ao lhe dar um abraço
Devolvendo o que de dia
Você acha que perdeu
Assim, no escuro da noite
Você volta a ser forte
Por perceber que a sorte
Está nos braços seus
Sossega, menina
Que um segredo da vida
Você já percebeu:
De dia, é preciso a vigília
E de noite, a calmaria
Para você voar longe
Para onde seu coração
prometeu
25 abril 2007
23 abril 2007

23 de abril
Dia de reverenciar Ogum:
Orixá das guerras que usa a espada para se defender, não para ferir
Salve São Jorge guerreiro! Saravá Ogum! Ogunhê meu pai!
Ai ai meu santo
meu santo São Jorge
se tu mora na lua
a lua é tua
a lua é tua
a lua é tua
Lumiai meu santo
meu santo São Jorge
meus tristes passos na rua
na minha rua
na escura rua
escura rua
Coroai meu santo
meu santo São Jorge
minha alma nua e crua
minha alma nua
minha alma nua
minha alma tua
Ai ai meu santo
meu santo São Jorge
se tu mora na lua
a lua é tua
a lua é tua
a lua é tua
São Jorge Bendito
Zeca Baleiro
21 abril 2007
Awareness
'O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
Aqui, onde indefinido
Agora, que é quase quando
Quando ser leve ou pesado
Deixa de fazer sentido
Aqui, onde o olho mira
Agora, que o ouvido escuta
O tempo, que a voz não fala
Mas que o coração tributa
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
Aqui, onde a cor é clara
Agora, que é tudo escuro
Viver em Guadalajara
Dentro de um figo maduro
Aqui, longe, em Nova Deli
Agora, sete, oito ou nove
Sentir é questão de pele
Amor é tudo que move
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
Aqui perto passa um rio
Agora eu vi um lagarto
Morrer deve ser tão frio
Quanto na hora do parto
Aqui, fora de perigo
Agora, dentro de instantes
Depois de tudo que eu digo
Muito embora muito antes
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora'
"Aqui e Agora"
Gilberto Gil
18 abril 2007
15 abril 2007
- Um coração que anda em direção a uma memória sonhada de um tempo vivido que some e aparece a cada instante. A foto que surpreende ao mostrar como as coisas vãs ficam e como aquele sorriso pode trazer agora só uma dor serena que faz ranger a garganta... Sob o luar de uma noite abafada e tão nossa, capaz de transformar uma lágrima de alegria em uma tristeza bonita e incômoda... Um momento irreal, como tudo o que é hoje... A luz do luar e um copo de café na mão para esquentar um estômago frio e um coração que só pode bater mais rápido... Mãos dadas, caminhos incertos para atravessar uma cidade tão silenciosa e vazia, como minha respiração contida e seu olhar que me atravessa e me entra e me deixa louca para descobrir minha loucura que me faz negar teu querer e o meu desejo de construir um mundo que já habita o meu corpo... Meus sonhos vãos e seu riso ao ouvi-los, como se já os conhecesse... e os meus sonhos são o seu presente para mim...
- Me dando um mundo, você me tira do seu. E eu não recuso porque quero aceitar o que você tem para me dar. Eu tenho um segredo que não posso revelar, não posso te dar um mundo, não quero isso! O seu mundo é seu e o meu é esse... tão triste que eu preciso colorir. Você percebe isso e usa as tintas que tem... Mas nele você não entra e não pinta, só olha, de longe, com seus olhos infantis que acreditam num mundo tão mais bonito que o meu. Não preciso de você para conhecer meus sonhos, eles já estão comigo e você não percebe... E o meu mundo some sob seu olhar que, ao tentar me revelar, tira minha pele junto com a minha roupa e me tira de mim - para tentar me dar um mundo que não é meu... Só, é seu...
- Me dando um mundo, você me tira do seu. E eu não recuso porque quero aceitar o que você tem para me dar. Eu tenho um segredo que não posso revelar, não posso te dar um mundo, não quero isso! O seu mundo é seu e o meu é esse... tão triste que eu preciso colorir. Você percebe isso e usa as tintas que tem... Mas nele você não entra e não pinta, só olha, de longe, com seus olhos infantis que acreditam num mundo tão mais bonito que o meu. Não preciso de você para conhecer meus sonhos, eles já estão comigo e você não percebe... E o meu mundo some sob seu olhar que, ao tentar me revelar, tira minha pele junto com a minha roupa e me tira de mim - para tentar me dar um mundo que não é meu... Só, é seu...
12 abril 2007
08 abril 2007
07 abril 2007
Pra falar verdade, às vezes minto
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto
Pra dizer às vezes que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo
Tanto faz não satisfaz o que preciso
Além do mais quem busca nunca é indeciso
Eu busquei quem sou, você pra mim mostrou
Que eu não sou sozinha nesse mundo
Cuida de mim enquanto não esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo
Basta as penas que eu mesmo sinto de mim
Junto todas crio asas viro querubim
Sou da cor do tom, sabor e som que quiser ouvir
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu
Volto atrás se voltar atrás assim como eu
Busquei quem sou
Você pra mim mostrou
Que eu não estou sozinho nesse mundo
Cuida de mim enquanto não esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo
"Cuida de Mim"
O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto
Pra dizer às vezes que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo
Tanto faz não satisfaz o que preciso
Além do mais quem busca nunca é indeciso
Eu busquei quem sou, você pra mim mostrou
Que eu não sou sozinha nesse mundo
Cuida de mim enquanto não esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo
Basta as penas que eu mesmo sinto de mim
Junto todas crio asas viro querubim
Sou da cor do tom, sabor e som que quiser ouvir
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu
Volto atrás se voltar atrás assim como eu
Busquei quem sou
Você pra mim mostrou
Que eu não estou sozinho nesse mundo
Cuida de mim enquanto não esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo
"Cuida de Mim"
O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli
05 abril 2007
Um redondo vazio,
A Lua:
Que olha e demora
De longe
Com compaixão
Para um coração
Que quer ser seu,
Ó céu!
Na noite escura,
A Lua:
Que brilha e aponta
Para um buraco
Que engole
Tudo, tudo, tudo
A Lua:
Que rege e pede
Por um olhar
Que enxergue
O tamanho da dor
De Ser um arrombo
No céu estrelado
Que grita
Um estrondo
Ao longe,
de longe,
tão longe...
A Lua:
Que olha e demora
De longe
Com compaixão
Para um coração
Que quer ser seu,
Ó céu!
Na noite escura,
A Lua:
Que brilha e aponta
Para um buraco
Que engole
Tudo, tudo, tudo
A Lua:
Que rege e pede
Por um olhar
Que enxergue
O tamanho da dor
De Ser um arrombo
No céu estrelado
Que grita
Um estrondo
Ao longe,
de longe,
tão longe...
29 março 2007
“Não deveria ter visto. Porque, vendo, ela por um instante arriscava-se a tornar-se individual, e também eles. Era do que parecia ter sido avisada: enquanto executasse um mundo clássico, enquanto fosse impessoal, seria filha dos deuses, e assistida pelo que tem que ser feito. Mas, tendo visto o que olhos, ao verem, diminuem, arriscara-se a ser um ela-mesma que a tradição não amparava. Por um instante hesitou toda, perdida de um rumo. Mas era tarde demais para recuar. Só não seria tarde demais se corresse. Mas correr seria como errar todos os passos, e perder o ritmo que ainda a sustentava, o ritmo que era o seu único talismã, o que lhe fora entregue à orla do mundo onde era para ser sozinha- à orla do mundo onde se tinham apagado todas as lembranças, e como incompreensível lembrete restara o cego talismã, ritmo que era de seu destino copiar, executando-o para a consumação do mundo. Não a própria. Se ela corresse, a ordem se alteraria. E nunca lhe seria perdoado o pior: a pressa. E mesmo quando se foge correm atrás, são coisas que se sabem.”
Trecho de “Preciosidade”,
conto de Clarice Lispector em “Laços de Família”
25 março 2007
Que roseira bonita
Que me olha tão aflita
Que roseira bonita
Que me olha tão aflita
Pela chuva que não vem
Corro, pego o regador
Ela me olha com amor
Sabe o que lhe convém
Sabe o que lhe convém
Às vezes falo ao acaso
Com a samambaia de um vaso
Em cima da janela olhando a baía
Em cima da janela olhando a baía
Usamos telepatia
Falamos da vida
Sobre os amores das flores
E a força secreta daquela alegria
“A força secreta daquela alegria”
( Jorge Mautner/ Gilberto Gil)
Que me olha tão aflita
Que roseira bonita
Que me olha tão aflita
Pela chuva que não vem
Corro, pego o regador
Ela me olha com amor
Sabe o que lhe convém
Sabe o que lhe convém
Às vezes falo ao acaso
Com a samambaia de um vaso
Em cima da janela olhando a baía
Em cima da janela olhando a baía
Usamos telepatia
Falamos da vida
Sobre os amores das flores
E a força secreta daquela alegria
“A força secreta daquela alegria”
( Jorge Mautner/ Gilberto Gil)
22 março 2007
Um livro para ler, um braço para encostar, um olhar para fazer dormir o que não sossega... Soluções esgotadas, intenções abafadas, mãos atadas e pés alados para fazer dançar aquilo que escorrega e escorre por um corpo que teima em ser são... Horizonte limitado pelas mesmas palavras e sonhos: para onde ir se para lá da porta não há encanto? Só uma beleza vindo de ilusões que colorem o buraco negro ou cinza ou vermelho-sangue e uma vida emergindo do sofrimento revestido e da solidão que empurra para um abismo de relações sustentadas por um bárbaro barbante, entres seres e coisas sós, inanimados e cruelmente animados para assistirem a um espetáculo em que são sarados daquilo que dói em silêncio... O fim tão próximo: na pele que mostra o limite e se arrepia e esfria e procura o calor que ilude para manter o esqueleto ereto... Um livro para escrever, uma mão para acarinhar, uma boca para sorrir e cuspir o que faz engasgar... O destino tão distante, que aparece por tentar se esconder... Horizonte ilimitado, nas palavras e nos sonhos: para que ficar se para cá da porta só há desencanto?
19 março 2007
Fugindo
do que surge
urgente e rugindo
tentando rasgar
as folhas escritas
e meu peito
que resiste em olhar
para aquilo que aparece
e pede
e grita
e emudece
por não oferecer a palavra
tão familiar e estranha
vestida com fantasias criadas
travestida de ilusões ridículas
que tentam conter
tudo aquilo que é nítido
mas que foge do meu olhar
tão estúpido que o expulsa
para não enxergar
com medo de ver
aquilo que pulsa e mata
e me faz criar
você
do que surge
urgente e rugindo
tentando rasgar
as folhas escritas
e meu peito
que resiste em olhar
para aquilo que aparece
e pede
e grita
e emudece
por não oferecer a palavra
tão familiar e estranha
vestida com fantasias criadas
travestida de ilusões ridículas
que tentam conter
tudo aquilo que é nítido
mas que foge do meu olhar
tão estúpido que o expulsa
para não enxergar
com medo de ver
aquilo que pulsa e mata
e me faz criar
você
17 março 2007
Oro durante as horas
Para trazer de volta
A fé que outrora
Me acompanhou:
Deus,
Destrua-me nesse templo
Para salvar meu peito
Que de sonhar é gasto
E de viver, tão casto
E carece tanto de tentação
Homem,
Dai-me sua mão que fere
Meu corpo padece
Por querer ter alma
E achar que a calma
É a salvação
Vida,
Traga-me a morte
Pois ao pensar ser forte
Evitei a dor
E, agora, de longe
Imploro por amor
Hoje,
Conte ao meu coração imaculado
Que cometer o pecado
É a libertação
Revelando, ao gritar bem alto:
O segredo sagrado
É a perdição
Para trazer de volta
A fé que outrora
Me acompanhou:
Deus,
Destrua-me nesse templo
Para salvar meu peito
Que de sonhar é gasto
E de viver, tão casto
E carece tanto de tentação
Homem,
Dai-me sua mão que fere
Meu corpo padece
Por querer ter alma
E achar que a calma
É a salvação
Vida,
Traga-me a morte
Pois ao pensar ser forte
Evitei a dor
E, agora, de longe
Imploro por amor
Hoje,
Conte ao meu coração imaculado
Que cometer o pecado
É a libertação
Revelando, ao gritar bem alto:
O segredo sagrado
É a perdição
14 março 2007
10 março 2007
08 março 2007
Ele chega devagar como uma brisa fresca que toca um corpo quente, quase febril. Como um vento leve no ar parado, pesado, com tanto em suspensão. Ele abre a porta devagar e aparece quase sem querer e se revela delicadamente e tenta fugir com medo de ficar e... sumir. Ele vem de mansinho porque não quer matar e teme morrer- ele quer viver: sobreviver é muito caro... Ele sonha achando que pensa e pensa para não ver o que quer sonhar. De longe ele vem, tão longe, que precisa voltar. E volta: se perdendo, encontrando, quase chorando. Para um coração que transborda, ter um lar é uma missão, morar é ser, pertencer é legitimar uma vida. Seu olhar triste tem um porquê, assim como sua beleza, sua esquiva, sua luta. Ele vai para não ficar mas fica e finca, tanto!, no coração de quem o sente. Devagar, ele chega e vai, como um temporal que destrói e transforma e traz alívio ao limpar o céu... tão seu.
05 março 2007
De você o presente eu ganho
E nos tornamos instante
Dura-ação deixar-te
Quero deixar-me em ti
Não, não vou evitar
Aquela porta se abriu
E eu atravessei a ponte
Sob a permissão dos olhos teus
Que me guiam
Pro lugar que é meu
E teu
Abrigo
Que protege
E faz demorar
Mas passa correndo
Destruindo nosso lar
Que se constrói
No instante
Que o presente
Nos dá
A duração
De estarmos lá
E nos tornamos instante
Dura-ação deixar-te
Quero deixar-me em ti
Não, não vou evitar
Aquela porta se abriu
E eu atravessei a ponte
Sob a permissão dos olhos teus
Que me guiam
Pro lugar que é meu
E teu
Abrigo
Que protege
E faz demorar
Mas passa correndo
Destruindo nosso lar
Que se constrói
No instante
Que o presente
Nos dá
A duração
De estarmos lá
04 março 2007
Tem mais samba no encontro que na espera
Tem mais samba a maldade que a ferida
Tem mais samba no porto que na vela
Tem mais samba o perdão que a despedida
Tem mais samba nas mãos do que nos olhos
Tem mais samba no chão do que na lua
Tem mais samba no homem que trabalha
Tem mais samba no som que vem da rua
Tem mais samba no peito de quem chora
Tem mais samba no pranto de quem vê
Que o bom samba não tem lugar nem hora
O coração de fora
Samba sem querer
Vem que passa
Teu sofrer
Se todo mundo sambasse
Seria tão fácil viver
Tem mais samba- Chico Buarque
Tem mais samba a maldade que a ferida
Tem mais samba no porto que na vela
Tem mais samba o perdão que a despedida
Tem mais samba nas mãos do que nos olhos
Tem mais samba no chão do que na lua
Tem mais samba no homem que trabalha
Tem mais samba no som que vem da rua
Tem mais samba no peito de quem chora
Tem mais samba no pranto de quem vê
Que o bom samba não tem lugar nem hora
O coração de fora
Samba sem querer
Vem que passa
Teu sofrer
Se todo mundo sambasse
Seria tão fácil viver
Tem mais samba- Chico Buarque
26 fevereiro 2007
“(...) Parece que a espera faz o vazio em nós, que prepara a retomada do ser, que ajuda a compreender o destino; numa palavra, a espera fabrica localizações temporais para receber as recordações. Quando o acontecimento claramente esperado sobrevém - novo paradoxo-, ele nos aparece como uma clara novidade. Nada se passa como havia sido previsto; o acontecimento vem assim ao mesmo tempo satisfazer e frustrar nossa espera, justificar a continuidade da localização racional vazia e impor a descontinuidade das recordações empíricas. Todos os que sabem desfrutar de uma espera, mesmo ansiosa, reconhecerão com que arte ela urde o pitoresco, o poético, o dramático. Ela faz o imprevisto com o previsto. (...) A espera, ao escavar o tempo, torna o amor mais profundo. Ela coloca o amor mais constante na dialética dos instantes e dos intervalos. Dá a um amor fiel o charme da novidade. Então os acontecimentos ansiosamente esperados se fixam na memória; adquirem um sentido em nossa vida. As grandes recordações são assim o desfecho do drama de um dia, de uma hora. São a recompensa de uma recusa prévia a viver outra coisa além do que aquilo que se deseja. É adiando as ações medíocres, obstinando-nos em prever o imprevisível, que nos preparamos para ser ricamente contraditados pela felicidade. Contradizendo-nos, o acontecimento se fixa em nosso ser. A assimilação dialética é a própria base da fixação de nossas recordações. Não há memória acidental sem um drama inicial, sem uma surpresa dos contrários”.
Gaston Bachelard, em “A dialética da duração”, pág. 49.
Gaston Bachelard, em “A dialética da duração”, pág. 49.
25 fevereiro 2007
24 fevereiro 2007
Acorda, menina
O trem da sua espera passa
É hora de partir
Diga adeus aos seus que ficam
Cumprimente o céu que vai
Levante do seu sono leve
Não é mais hora de dormir
Dê-me sua mão que pede
Mostre seu sorriso, vai
Guarde com você o medo
Traga a nossa alegria
Vê aquela estrela alta?
É o meu coração
Mire com seus olhos puros
Cante a nossa canção
que o sol vai já nascer...
Um novo dia chega
Pro seu destino seguir
Venha com seus passos lentos
A vida quer te assistir
O trem da sua espera passa
É hora de partir
Diga adeus aos seus que ficam
Cumprimente o céu que vai
Levante do seu sono leve
Não é mais hora de dormir
Dê-me sua mão que pede
Mostre seu sorriso, vai
Guarde com você o medo
Traga a nossa alegria
Vê aquela estrela alta?
É o meu coração
Mire com seus olhos puros
Cante a nossa canção
que o sol vai já nascer...
Um novo dia chega
Pro seu destino seguir
Venha com seus passos lentos
A vida quer te assistir
16 fevereiro 2007
eu quero um samba pra me aquecer
quero algo pra beber,
quero você
peça tudo que quiser
quantos sambas agüentar dançar
mas não esqueça do seu trato
da hora de parar
só vamos embora
quando tudo terminar
eu vou te levar
aonde você quer chegar
eu tenho a chave
nada impede a vida acontecer
deixe-se acreditar
nada vai te acontecer
tudo pode ser
nada vai acontecer, não tema
esse é o reino da alegria
Deixe-se acreditar
Mombojó
quero algo pra beber,
quero você
peça tudo que quiser
quantos sambas agüentar dançar
mas não esqueça do seu trato
da hora de parar
só vamos embora
quando tudo terminar
eu vou te levar
aonde você quer chegar
eu tenho a chave
nada impede a vida acontecer
deixe-se acreditar
nada vai te acontecer
tudo pode ser
nada vai acontecer, não tema
esse é o reino da alegria
Deixe-se acreditar
Mombojó
12 fevereiro 2007
Solidão embotada
Ansiando ser flor
Um olhar ingênuo
mirando uma luneta
para ver o brilho de um astro
que não mais existe
Luzes frenéticas
Modulando o ritmo
Revelando a crueza
Do que escapa
Crianças correndo
Velhos parados
morrendo
Solidão
desabrochando
tornando-se rosa
tocando com espinho
a mão que lhe arranca
ferindo
Ansiando ser flor
Um olhar ingênuo
mirando uma luneta
para ver o brilho de um astro
que não mais existe
Luzes frenéticas
Modulando o ritmo
Revelando a crueza
Do que escapa
Crianças correndo
Velhos parados
morrendo
Solidão
desabrochando
tornando-se rosa
tocando com espinho
a mão que lhe arranca
ferindo
09 fevereiro 2007
Hendrix no fundo, a chuva lá fora e eu aqui. Sexta à noite, semana de retomada, reencontros e desencontros, para não faltar. Incômodos, saudades e planos se concretizando, a vida segue, afinal. Não tenho lembrado dos meus sonhos, meu sono anda na medida e a energia, de sobra. Bom ouvir Hendrix, há tempos tenho sentido vontade, mas me faltava coragem. Metrô lotado hoje de manhã. De um lado uma senhora simpática se equilibrando e fazendo Sudoku. “Encaixa o 8 naquela fileira”, eu mentalizava. E ela completava a lacuna em branco com o número que eu havia pensado. Mas ela colocou o 1 na coluna errada, tudo se complicou no final e eu cansei, já tinha gastado muito da minha telepatia... Para não me concentrar na sensação de um homem me encoxando por atrás, procurei outro foco de atenção. Um moço, coitadinho, lia “Em busca de um sentido”. Tentei ler um tópico sobre vazio existencial, mas não agüentei. Estava muito preenchida naquele momento. Corpos se tocando, cheiros, trocas inevitáveis: eu já viajei muito nessas idéias, hoje me irrito mais. Vida de peão não é fácil, mas não sei se eu largaria, é bonita. Eu camelando por aí, "minha vida não poderia ser outra", é fato. E eu gosto disso.
Manic Depression's touching my soul,
I know what I want,
but I just don't know how to go about getting it.
Feeling, sweet feeling
drops from my finger, fingers
Manic Depression's captured my soul.
Woman so willing the sweet cause in vain,
you make love,
you break love,
it's-a all the same when it's...when it's over.
Music sweet music,
I wish I could caress, caress, caress.
Manic Depression's a frustrating mess.
Well, I think I'll go turn myself off an' go on down.
Really ain't no use me hanging around.
Oh, I gotta see you.
Manic Depression
Jimi Hendrix
07 fevereiro 2007
O olhar
Ele sabia provocar. Não via a poesia nos olhos dela: reconhecia sua resistência a cada surto poético. E ela gostava. Querendo sempre se proteger e se vestir de mistério, se excitava imaginando que ele via outra além daquela que ela cismava em mostrar. Ela deitada, ele atento. O silêncio de sempre: o que não poderia ser dito, o que gostaria de ser expresso, uma amostra da falta, do vazio, do desejo... Dois em um, um em dois, vários. O poente na janela e ela se segurando para não tagarelar as metáforas do sol se pondo. Ele já a havia descoberto- não faria mais sentido. Pensamento longe, perto do céu. Um choro no fundo, mãos inquietas, peito aberto e apertado. E ele lá, com ela: era disso que ela precisava.
Ele sabia provocar. Não via a poesia nos olhos dela: reconhecia sua resistência a cada surto poético. E ela gostava. Querendo sempre se proteger e se vestir de mistério, se excitava imaginando que ele via outra além daquela que ela cismava em mostrar. Ela deitada, ele atento. O silêncio de sempre: o que não poderia ser dito, o que gostaria de ser expresso, uma amostra da falta, do vazio, do desejo... Dois em um, um em dois, vários. O poente na janela e ela se segurando para não tagarelar as metáforas do sol se pondo. Ele já a havia descoberto- não faria mais sentido. Pensamento longe, perto do céu. Um choro no fundo, mãos inquietas, peito aberto e apertado. E ele lá, com ela: era disso que ela precisava.
04 fevereiro 2007
Aqui tudo tão vivo:
Um mundo à parte
com vida e cor
Seus olhos meus
Sua boca na minha
E minha solidão compreendida
Aqui te tive
No meu mundo colorido
Na nossa natureza morta
O mistério dos seus olhos
Me penetrando
E eu fugindo para ter
Sua doçura amarga
E seus pés delicados
Me ferindo
a cada coreografia dançada
Ilusões em encontro
Você de um lado
Eu de outro
Encontros ilusórios
Dissimulados
Quase reais
Você foi e vai
E nunca fica
Suas palavras mudas
Não mais me tocam
Na esperança te procuro
E no sonho choro,
Vê se me acorda
Vamos brincar
Um mundo à parte
com vida e cor
Seus olhos meus
Sua boca na minha
E minha solidão compreendida
Aqui te tive
No meu mundo colorido
Na nossa natureza morta
O mistério dos seus olhos
Me penetrando
E eu fugindo para ter
Sua doçura amarga
E seus pés delicados
Me ferindo
a cada coreografia dançada
Ilusões em encontro
Você de um lado
Eu de outro
Encontros ilusórios
Dissimulados
Quase reais
Você foi e vai
E nunca fica
Suas palavras mudas
Não mais me tocam
Na esperança te procuro
E no sonho choro,
Vê se me acorda
Vamos brincar
02 fevereiro 2007
Odoiá, Odoiá, Iemanjá
Rainha das Ondas, sereia do mar
Como é belo seu canto, senhora!
Quem escuta chora, mãe das águas, do oceano, soberana das águas.
Dê-me sucesso, progresso e vitória.
Abra meus caminhos no amor e cuide de mim.
Que as águas sagradas do oceano lavem minha alma e meu ser.
Abençoe, mãe, minha família e meus amigos.
Permita que o amor seja nossa maior fonte de energia.
Sou suas águas, suas ondas, e a senhora cuida dos meus caminhos.
Iemanjá, em seu poder eu confio. Axé!
Rainha das Ondas, sereia do mar
Como é belo seu canto, senhora!
Quem escuta chora, mãe das águas, do oceano, soberana das águas.
Dê-me sucesso, progresso e vitória.
Abra meus caminhos no amor e cuide de mim.
Que as águas sagradas do oceano lavem minha alma e meu ser.
Abençoe, mãe, minha família e meus amigos.
Permita que o amor seja nossa maior fonte de energia.
Sou suas águas, suas ondas, e a senhora cuida dos meus caminhos.
Iemanjá, em seu poder eu confio. Axé!

Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Yemanjá
Escrevi um bilhete pra ela
Pedindo para ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que mandei pra ela
De cravos e rosas chegou
chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
Dois de fevereiro- Dorival Caymmi
29 janeiro 2007
Se você vier
Pro que der e vier comigo
Eu te prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto esse canto de amor
Se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Comigo
Comigo
Dia Branco
Geraldo Azevedo e Renato Rocha
Pro que der e vier comigo
Eu te prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto esse canto de amor
Se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Comigo
Comigo
Dia Branco
Geraldo Azevedo e Renato Rocha
23 janeiro 2007
18 janeiro 2007
Um passo para fora e a visão do absurdo
Sempre na corda-bamba, sempre
A busca pelo estável
- nada além que a inércia
“Isso eu já tenho”
Medo, medo
Do aniquilamento ou do não-ser?
Eu saio e vibro
Uma vibração trêmula,
o medo e a excitação
Não, não quero ir, eu já disse
Prefiro definhar afogada no que eu só sou
um corpo quente e vulnerável
- tenho febre e ânsia
Saia daqui!, por favor
(mas fique, eu imploro)
fecho a porta e as janelas
apago as luzes
e ainda consigo ver
o escuro
Sempre na corda-bamba, sempre
A busca pelo estável
- nada além que a inércia
“Isso eu já tenho”
Medo, medo
Do aniquilamento ou do não-ser?
Eu saio e vibro
Uma vibração trêmula,
o medo e a excitação
Não, não quero ir, eu já disse
Prefiro definhar afogada no que eu só sou
um corpo quente e vulnerável
- tenho febre e ânsia
Saia daqui!, por favor
(mas fique, eu imploro)
fecho a porta e as janelas
apago as luzes
e ainda consigo ver
o escuro
16 janeiro 2007
Me dê um beijo, meu amor
Só eu vejo o mundo com meus olhos
Me dê um beijo, meu amor
Hoje eu tenho cem anos, hoje eu tenho cem anos
E meu coração bate como um pandeiro num samba dobrado
Vou pisando asfalto entre os automóveis
Mesmo o mais sozinho nunca fica só
Sempre haverá um idiota ao redor
Me dê um beijo, meu amor
Os sinais estão fechados
E trago no bolso uns trocados pro café
E o futuro se anuncia num out-door luminoso
Luminoso o futuro se anuncia num out-door
Há tantos reclamos pelo céu
Quase tanto quanto nuvens
Um homem grave vende risos
A voz da noite se insinua
E aquele filme não sai da minha cabeça
E aquele filme não sai da minha cabeça
Rumino versos de um velho bardo
Parece fome o que eu sinto
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí
Há alguns dias atrás vendi minha alma a um velho apache
Não é que eu ache que o mundo tenha salvação
Mas como diria o intrépido cowboy, fitando o bandido indócil
A alma é o segredo, a alma é o segredo
A alma é o segredo do negócio
Só eu vejo o mundo com meus olhos
Me dê um beijo, meu amor
Hoje eu tenho cem anos, hoje eu tenho cem anos
E meu coração bate como um pandeiro num samba dobrado
Vou pisando asfalto entre os automóveis
Mesmo o mais sozinho nunca fica só
Sempre haverá um idiota ao redor
Me dê um beijo, meu amor
Os sinais estão fechados
E trago no bolso uns trocados pro café
E o futuro se anuncia num out-door luminoso
Luminoso o futuro se anuncia num out-door
Há tantos reclamos pelo céu
Quase tanto quanto nuvens
Um homem grave vende risos
A voz da noite se insinua
E aquele filme não sai da minha cabeça
E aquele filme não sai da minha cabeça
Rumino versos de um velho bardo
Parece fome o que eu sinto
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí
Há alguns dias atrás vendi minha alma a um velho apache
Não é que eu ache que o mundo tenha salvação
Mas como diria o intrépido cowboy, fitando o bandido indócil
A alma é o segredo, a alma é o segredo
A alma é o segredo do negócio
Balada do Asfalto
Zeca Baleiro
10 janeiro 2007
21 dezembro 2006
Tumulto nas ruas e aqui dentro, calor em todos os cantos, o sol chamando para fora. É fim de ano, início de verão no país tropical, época de Natal e Reveillon num mundo cristão-capitalista. As emoções afloram, euforia em todo lugar, as desigualdades gritam em meio a abraços, sorrisos, choros guardados e pedidos de esperança. O excesso de maquiagem revela e escancara o que precisa ser escondido. Dispenso fogos, brilhos e barulho mas aceito mais uma taça de champagne, por favor. Peito apertado, pés descalços a beira-mar, olhar no horizonte escuro, uma rosa branca na mão e o coração em oração.
Venha com força 2007, para todos nós!
13 dezembro 2006
"Meu pensamento não quer pensar
ele está com preguiça de se levantar
Depois de um sono tão profundo
é duro acordar e ver que no mundo
tudo é novidade, mas eu já conheço
Então volto a dormir que é pra ver
se me esqueço
Que meu pensamento não quer pensar
e para aprender eu vou ter que apanhar
pois só assim que o ser humano evolui
Só assim serei o que nunca fui
Tudo é tão velho e eu ainda nem nasci
O tempo nunca passou e eu nem percebi
Que o meu pensamento não vai pensar
enquanto eu não fizer seu coração vomitar
toda a consciência que não o deixa em paz
com os mesmos padrões de séculos atrás
com as mesmas paixões por coisas
absolutamente banais..."
Meu pensamento não quer pensar
Paulinho Moska
ele está com preguiça de se levantar
Depois de um sono tão profundo
é duro acordar e ver que no mundo
tudo é novidade, mas eu já conheço
Então volto a dormir que é pra ver
se me esqueço
Que meu pensamento não quer pensar
e para aprender eu vou ter que apanhar
pois só assim que o ser humano evolui
Só assim serei o que nunca fui
Tudo é tão velho e eu ainda nem nasci
O tempo nunca passou e eu nem percebi
Que o meu pensamento não vai pensar
enquanto eu não fizer seu coração vomitar
toda a consciência que não o deixa em paz
com os mesmos padrões de séculos atrás
com as mesmas paixões por coisas
absolutamente banais..."
Meu pensamento não quer pensar
Paulinho Moska
07 dezembro 2006
O sentido é tanto que eu desapareço
Como os limiares dos sons, imagens e sensações
que depois de um certo limite
de intensidade e freqüência
são incapazes de serem percebidos
Imersa naquilo que só é, simplesmente,
não consigo me descolar de mim
Perdi minha porta de saída
para me olhar de fora
Sou, isso
Indo para lá, inevitavelmente
Como os limiares dos sons, imagens e sensações
que depois de um certo limite
de intensidade e freqüência
são incapazes de serem percebidos
Imersa naquilo que só é, simplesmente,
não consigo me descolar de mim
Perdi minha porta de saída
para me olhar de fora
Sou, isso
Indo para lá, inevitavelmente
04 dezembro 2006
eu não sou daqui também marinheiro
mas eu venho de longe e ainda
do lado de trás da terra
além da missão cumprida
vim só dar
despedida
filho de sol poente
quando teima em passear
desce de sal nos olhos
doente da falta de voltar
filho de sol poente
quando teima em passear
desce de sal nos olhos
doente da falta que sente do mar
vim só dar despedida
vim só dar despedida
Despedida- Marcelo Camelo
mas eu venho de longe e ainda
do lado de trás da terra
além da missão cumprida
vim só dar
despedida
filho de sol poente
quando teima em passear
desce de sal nos olhos
doente da falta de voltar
filho de sol poente
quando teima em passear
desce de sal nos olhos
doente da falta que sente do mar
vim só dar despedida
vim só dar despedida
Despedida- Marcelo Camelo
30 novembro 2006
27 novembro 2006
24 novembro 2006
Por onde vou guiar o olhar que não enxerga mais
Dá-me luz, ó deus do tempo
Dá-me luz, ó deus do tempo
Nesse momento menor
Pra eu saber teu redor
A gente quer ver horizonte distante
A gente quer ver horizonte distante
Aprumar
Através eu vi, só o amor é luz
E há de estar daqui até alto e amanhã
Quem fica com o tempo
Eu faço dele meu e não me falta o passo, coração
E não me falta o passo, coração
Avante
A gente quer ver horizonte distante
A gente quer ver horizonte distante
Aprumar
Horizonte distante- Marcelo Camelo
Dá-me luz, ó deus do tempo
Dá-me luz, ó deus do tempo
Nesse momento menor
Pra eu saber teu redor
A gente quer ver horizonte distante
A gente quer ver horizonte distante
Aprumar
Através eu vi, só o amor é luz
E há de estar daqui até alto e amanhã
Quem fica com o tempo
Eu faço dele meu e não me falta o passo, coração
E não me falta o passo, coração
Avante
A gente quer ver horizonte distante
A gente quer ver horizonte distante
Aprumar
Horizonte distante- Marcelo Camelo
19 novembro 2006
Eu desviava os olhos, não podia fazer diferente
E você aparece como quem não tivesse partido
Nós lado a lado
E os sonhos não-vividos
Estavam agora nas minhas mãos
Quase sem eu perceber
Seu desejo assustador
No meio a alucinações e confissões
Um pedido parecendo um eco distante
Um sussurro longínquo tão próximo ao meu corpo
Eu queria parar o tempo para guardar o instante
Em que sua nudez me transtornou
A revelação se deu sem a minha espera:
Eu ali
Você aos meus pés
Nós
Se desfazendo
Como corpos castos se entregando à perdição
- Não!
Você desaparecia lentamente ao me tentar
Tornando-me insensível ao me tocar
Nós de todos os lados
E ao te ter, eu nos perdi
E você aparece como quem não tivesse partido
Nós lado a lado
E os sonhos não-vividos
Estavam agora nas minhas mãos
Quase sem eu perceber
Seu desejo assustador
No meio a alucinações e confissões
Um pedido parecendo um eco distante
Um sussurro longínquo tão próximo ao meu corpo
Eu queria parar o tempo para guardar o instante
Em que sua nudez me transtornou
A revelação se deu sem a minha espera:
Eu ali
Você aos meus pés
Nós
Se desfazendo
Como corpos castos se entregando à perdição
- Não!
Você desaparecia lentamente ao me tentar
Tornando-me insensível ao me tocar
Nós de todos os lados
E ao te ter, eu nos perdi
12 novembro 2006
09 novembro 2006
As sensações não me enganam
e hoje eu não preciso dizer nada
- nada é só o que sei
A certeza das incertezas
A continuidade dos caminhos descontínuos
A impressão de que um passo a mais é um passo a menos:
o que passou é o que ficou
e o que é pode vir a ser
Entre fugas, esconderijos, medos
Entre olhares que se cruzam e se evitam
Entre encontros que se desencontram
As palavras que tocam
As músicas que perseguem os caminhos...
hoje é o que eu posso ser,
na esperança cruel que sustenta as ilusões, os sonhos e o futuro
O por vir se delineando nas mãos de um artesão
que delicadamente se alia ao tempo
Tempo que revela e apaga
Te espero? Acho que sim
A busca pelo o que não se sabe o que é,
a teimosia do querer
Seus olhos fugitivos que eu não sei para onde olham
mas que eu quero para mim
Devaneios tão particulares e tão comuns
Distâncias que aproximam
Desejo que escapa e se esconde
(sossego)
Desejo de união e solidão
Palavras –mistério
Silêncio que fere e alimenta
A ausência possibilitando a existência
A presença revelando a indiferença
Sonhos:
reminiscências do que já foi
e anseio do que será
mais um dia, mais uma noite, mais um você
nem uma palavra, nem uma imagem
nenhum, ninguém
e hoje eu não preciso dizer nada
- nada é só o que sei
A certeza das incertezas
A continuidade dos caminhos descontínuos
A impressão de que um passo a mais é um passo a menos:
o que passou é o que ficou
e o que é pode vir a ser
Entre fugas, esconderijos, medos
Entre olhares que se cruzam e se evitam
Entre encontros que se desencontram
As palavras que tocam
As músicas que perseguem os caminhos...
hoje é o que eu posso ser,
na esperança cruel que sustenta as ilusões, os sonhos e o futuro
O por vir se delineando nas mãos de um artesão
que delicadamente se alia ao tempo
Tempo que revela e apaga
Te espero? Acho que sim
A busca pelo o que não se sabe o que é,
a teimosia do querer
Seus olhos fugitivos que eu não sei para onde olham
mas que eu quero para mim
Devaneios tão particulares e tão comuns
Distâncias que aproximam
Desejo que escapa e se esconde
(sossego)
Desejo de união e solidão
Palavras –mistério
Silêncio que fere e alimenta
A ausência possibilitando a existência
A presença revelando a indiferença
Sonhos:
reminiscências do que já foi
e anseio do que será
mais um dia, mais uma noite, mais um você
nem uma palavra, nem uma imagem
nenhum, ninguém
08 novembro 2006
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