“(...) Parece que a espera faz o vazio em nós, que prepara a retomada do ser, que ajuda a compreender o destino; numa palavra, a espera fabrica localizações temporais para receber as recordações. Quando o acontecimento claramente esperado sobrevém - novo paradoxo-, ele nos aparece como uma clara novidade. Nada se passa como havia sido previsto; o acontecimento vem assim ao mesmo tempo satisfazer e frustrar nossa espera, justificar a continuidade da localização racional vazia e impor a descontinuidade das recordações empíricas. Todos os que sabem desfrutar de uma espera, mesmo ansiosa, reconhecerão com que arte ela urde o pitoresco, o poético, o dramático. Ela faz o imprevisto com o previsto. (...) A espera, ao escavar o tempo, torna o amor mais profundo. Ela coloca o amor mais constante na dialética dos instantes e dos intervalos. Dá a um amor fiel o charme da novidade. Então os acontecimentos ansiosamente esperados se fixam na memória; adquirem um sentido em nossa vida. As grandes recordações são assim o desfecho do drama de um dia, de uma hora. São a recompensa de uma recusa prévia a viver outra coisa além do que aquilo que se deseja. É adiando as ações medíocres, obstinando-nos em prever o imprevisível, que nos preparamos para ser ricamente contraditados pela felicidade. Contradizendo-nos, o acontecimento se fixa em nosso ser. A assimilação dialética é a própria base da fixação de nossas recordações. Não há memória acidental sem um drama inicial, sem uma surpresa dos contrários”.
Gaston Bachelard, em “A dialética da duração”, pág. 49.
26 fevereiro 2007
25 fevereiro 2007
24 fevereiro 2007
Acorda, menina
O trem da sua espera passa
É hora de partir
Diga adeus aos seus que ficam
Cumprimente o céu que vai
Levante do seu sono leve
Não é mais hora de dormir
Dê-me sua mão que pede
Mostre seu sorriso, vai
Guarde com você o medo
Traga a nossa alegria
Vê aquela estrela alta?
É o meu coração
Mire com seus olhos puros
Cante a nossa canção
que o sol vai já nascer...
Um novo dia chega
Pro seu destino seguir
Venha com seus passos lentos
A vida quer te assistir
O trem da sua espera passa
É hora de partir
Diga adeus aos seus que ficam
Cumprimente o céu que vai
Levante do seu sono leve
Não é mais hora de dormir
Dê-me sua mão que pede
Mostre seu sorriso, vai
Guarde com você o medo
Traga a nossa alegria
Vê aquela estrela alta?
É o meu coração
Mire com seus olhos puros
Cante a nossa canção
que o sol vai já nascer...
Um novo dia chega
Pro seu destino seguir
Venha com seus passos lentos
A vida quer te assistir
16 fevereiro 2007
eu quero um samba pra me aquecer
quero algo pra beber,
quero você
peça tudo que quiser
quantos sambas agüentar dançar
mas não esqueça do seu trato
da hora de parar
só vamos embora
quando tudo terminar
eu vou te levar
aonde você quer chegar
eu tenho a chave
nada impede a vida acontecer
deixe-se acreditar
nada vai te acontecer
tudo pode ser
nada vai acontecer, não tema
esse é o reino da alegria
Deixe-se acreditar
Mombojó
quero algo pra beber,
quero você
peça tudo que quiser
quantos sambas agüentar dançar
mas não esqueça do seu trato
da hora de parar
só vamos embora
quando tudo terminar
eu vou te levar
aonde você quer chegar
eu tenho a chave
nada impede a vida acontecer
deixe-se acreditar
nada vai te acontecer
tudo pode ser
nada vai acontecer, não tema
esse é o reino da alegria
Deixe-se acreditar
Mombojó
12 fevereiro 2007
Solidão embotada
Ansiando ser flor
Um olhar ingênuo
mirando uma luneta
para ver o brilho de um astro
que não mais existe
Luzes frenéticas
Modulando o ritmo
Revelando a crueza
Do que escapa
Crianças correndo
Velhos parados
morrendo
Solidão
desabrochando
tornando-se rosa
tocando com espinho
a mão que lhe arranca
ferindo
Ansiando ser flor
Um olhar ingênuo
mirando uma luneta
para ver o brilho de um astro
que não mais existe
Luzes frenéticas
Modulando o ritmo
Revelando a crueza
Do que escapa
Crianças correndo
Velhos parados
morrendo
Solidão
desabrochando
tornando-se rosa
tocando com espinho
a mão que lhe arranca
ferindo
09 fevereiro 2007
Hendrix no fundo, a chuva lá fora e eu aqui. Sexta à noite, semana de retomada, reencontros e desencontros, para não faltar. Incômodos, saudades e planos se concretizando, a vida segue, afinal. Não tenho lembrado dos meus sonhos, meu sono anda na medida e a energia, de sobra. Bom ouvir Hendrix, há tempos tenho sentido vontade, mas me faltava coragem. Metrô lotado hoje de manhã. De um lado uma senhora simpática se equilibrando e fazendo Sudoku. “Encaixa o 8 naquela fileira”, eu mentalizava. E ela completava a lacuna em branco com o número que eu havia pensado. Mas ela colocou o 1 na coluna errada, tudo se complicou no final e eu cansei, já tinha gastado muito da minha telepatia... Para não me concentrar na sensação de um homem me encoxando por atrás, procurei outro foco de atenção. Um moço, coitadinho, lia “Em busca de um sentido”. Tentei ler um tópico sobre vazio existencial, mas não agüentei. Estava muito preenchida naquele momento. Corpos se tocando, cheiros, trocas inevitáveis: eu já viajei muito nessas idéias, hoje me irrito mais. Vida de peão não é fácil, mas não sei se eu largaria, é bonita. Eu camelando por aí, "minha vida não poderia ser outra", é fato. E eu gosto disso.
Manic Depression's touching my soul,
I know what I want,
but I just don't know how to go about getting it.
Feeling, sweet feeling
drops from my finger, fingers
Manic Depression's captured my soul.
Woman so willing the sweet cause in vain,
you make love,
you break love,
it's-a all the same when it's...when it's over.
Music sweet music,
I wish I could caress, caress, caress.
Manic Depression's a frustrating mess.
Well, I think I'll go turn myself off an' go on down.
Really ain't no use me hanging around.
Oh, I gotta see you.
Manic Depression
Jimi Hendrix
07 fevereiro 2007
O olhar
Ele sabia provocar. Não via a poesia nos olhos dela: reconhecia sua resistência a cada surto poético. E ela gostava. Querendo sempre se proteger e se vestir de mistério, se excitava imaginando que ele via outra além daquela que ela cismava em mostrar. Ela deitada, ele atento. O silêncio de sempre: o que não poderia ser dito, o que gostaria de ser expresso, uma amostra da falta, do vazio, do desejo... Dois em um, um em dois, vários. O poente na janela e ela se segurando para não tagarelar as metáforas do sol se pondo. Ele já a havia descoberto- não faria mais sentido. Pensamento longe, perto do céu. Um choro no fundo, mãos inquietas, peito aberto e apertado. E ele lá, com ela: era disso que ela precisava.
Ele sabia provocar. Não via a poesia nos olhos dela: reconhecia sua resistência a cada surto poético. E ela gostava. Querendo sempre se proteger e se vestir de mistério, se excitava imaginando que ele via outra além daquela que ela cismava em mostrar. Ela deitada, ele atento. O silêncio de sempre: o que não poderia ser dito, o que gostaria de ser expresso, uma amostra da falta, do vazio, do desejo... Dois em um, um em dois, vários. O poente na janela e ela se segurando para não tagarelar as metáforas do sol se pondo. Ele já a havia descoberto- não faria mais sentido. Pensamento longe, perto do céu. Um choro no fundo, mãos inquietas, peito aberto e apertado. E ele lá, com ela: era disso que ela precisava.
04 fevereiro 2007
Aqui tudo tão vivo:
Um mundo à parte
com vida e cor
Seus olhos meus
Sua boca na minha
E minha solidão compreendida
Aqui te tive
No meu mundo colorido
Na nossa natureza morta
O mistério dos seus olhos
Me penetrando
E eu fugindo para ter
Sua doçura amarga
E seus pés delicados
Me ferindo
a cada coreografia dançada
Ilusões em encontro
Você de um lado
Eu de outro
Encontros ilusórios
Dissimulados
Quase reais
Você foi e vai
E nunca fica
Suas palavras mudas
Não mais me tocam
Na esperança te procuro
E no sonho choro,
Vê se me acorda
Vamos brincar
Um mundo à parte
com vida e cor
Seus olhos meus
Sua boca na minha
E minha solidão compreendida
Aqui te tive
No meu mundo colorido
Na nossa natureza morta
O mistério dos seus olhos
Me penetrando
E eu fugindo para ter
Sua doçura amarga
E seus pés delicados
Me ferindo
a cada coreografia dançada
Ilusões em encontro
Você de um lado
Eu de outro
Encontros ilusórios
Dissimulados
Quase reais
Você foi e vai
E nunca fica
Suas palavras mudas
Não mais me tocam
Na esperança te procuro
E no sonho choro,
Vê se me acorda
Vamos brincar
02 fevereiro 2007
Odoiá, Odoiá, Iemanjá
Rainha das Ondas, sereia do mar
Como é belo seu canto, senhora!
Quem escuta chora, mãe das águas, do oceano, soberana das águas.
Dê-me sucesso, progresso e vitória.
Abra meus caminhos no amor e cuide de mim.
Que as águas sagradas do oceano lavem minha alma e meu ser.
Abençoe, mãe, minha família e meus amigos.
Permita que o amor seja nossa maior fonte de energia.
Sou suas águas, suas ondas, e a senhora cuida dos meus caminhos.
Iemanjá, em seu poder eu confio. Axé!
Rainha das Ondas, sereia do mar
Como é belo seu canto, senhora!
Quem escuta chora, mãe das águas, do oceano, soberana das águas.
Dê-me sucesso, progresso e vitória.
Abra meus caminhos no amor e cuide de mim.
Que as águas sagradas do oceano lavem minha alma e meu ser.
Abençoe, mãe, minha família e meus amigos.
Permita que o amor seja nossa maior fonte de energia.
Sou suas águas, suas ondas, e a senhora cuida dos meus caminhos.
Iemanjá, em seu poder eu confio. Axé!

Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Yemanjá
Escrevi um bilhete pra ela
Pedindo para ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que mandei pra ela
De cravos e rosas chegou
chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
Dois de fevereiro- Dorival Caymmi
29 janeiro 2007
Se você vier
Pro que der e vier comigo
Eu te prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto esse canto de amor
Se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Comigo
Comigo
Dia Branco
Geraldo Azevedo e Renato Rocha
Pro que der e vier comigo
Eu te prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto esse canto de amor
Se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Comigo
Comigo
Dia Branco
Geraldo Azevedo e Renato Rocha
23 janeiro 2007
18 janeiro 2007
Um passo para fora e a visão do absurdo
Sempre na corda-bamba, sempre
A busca pelo estável
- nada além que a inércia
“Isso eu já tenho”
Medo, medo
Do aniquilamento ou do não-ser?
Eu saio e vibro
Uma vibração trêmula,
o medo e a excitação
Não, não quero ir, eu já disse
Prefiro definhar afogada no que eu só sou
um corpo quente e vulnerável
- tenho febre e ânsia
Saia daqui!, por favor
(mas fique, eu imploro)
fecho a porta e as janelas
apago as luzes
e ainda consigo ver
o escuro
Sempre na corda-bamba, sempre
A busca pelo estável
- nada além que a inércia
“Isso eu já tenho”
Medo, medo
Do aniquilamento ou do não-ser?
Eu saio e vibro
Uma vibração trêmula,
o medo e a excitação
Não, não quero ir, eu já disse
Prefiro definhar afogada no que eu só sou
um corpo quente e vulnerável
- tenho febre e ânsia
Saia daqui!, por favor
(mas fique, eu imploro)
fecho a porta e as janelas
apago as luzes
e ainda consigo ver
o escuro
16 janeiro 2007
Me dê um beijo, meu amor
Só eu vejo o mundo com meus olhos
Me dê um beijo, meu amor
Hoje eu tenho cem anos, hoje eu tenho cem anos
E meu coração bate como um pandeiro num samba dobrado
Vou pisando asfalto entre os automóveis
Mesmo o mais sozinho nunca fica só
Sempre haverá um idiota ao redor
Me dê um beijo, meu amor
Os sinais estão fechados
E trago no bolso uns trocados pro café
E o futuro se anuncia num out-door luminoso
Luminoso o futuro se anuncia num out-door
Há tantos reclamos pelo céu
Quase tanto quanto nuvens
Um homem grave vende risos
A voz da noite se insinua
E aquele filme não sai da minha cabeça
E aquele filme não sai da minha cabeça
Rumino versos de um velho bardo
Parece fome o que eu sinto
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí
Há alguns dias atrás vendi minha alma a um velho apache
Não é que eu ache que o mundo tenha salvação
Mas como diria o intrépido cowboy, fitando o bandido indócil
A alma é o segredo, a alma é o segredo
A alma é o segredo do negócio
Só eu vejo o mundo com meus olhos
Me dê um beijo, meu amor
Hoje eu tenho cem anos, hoje eu tenho cem anos
E meu coração bate como um pandeiro num samba dobrado
Vou pisando asfalto entre os automóveis
Mesmo o mais sozinho nunca fica só
Sempre haverá um idiota ao redor
Me dê um beijo, meu amor
Os sinais estão fechados
E trago no bolso uns trocados pro café
E o futuro se anuncia num out-door luminoso
Luminoso o futuro se anuncia num out-door
Há tantos reclamos pelo céu
Quase tanto quanto nuvens
Um homem grave vende risos
A voz da noite se insinua
E aquele filme não sai da minha cabeça
E aquele filme não sai da minha cabeça
Rumino versos de um velho bardo
Parece fome o que eu sinto
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí
Há alguns dias atrás vendi minha alma a um velho apache
Não é que eu ache que o mundo tenha salvação
Mas como diria o intrépido cowboy, fitando o bandido indócil
A alma é o segredo, a alma é o segredo
A alma é o segredo do negócio
Balada do Asfalto
Zeca Baleiro
10 janeiro 2007
21 dezembro 2006
Tumulto nas ruas e aqui dentro, calor em todos os cantos, o sol chamando para fora. É fim de ano, início de verão no país tropical, época de Natal e Reveillon num mundo cristão-capitalista. As emoções afloram, euforia em todo lugar, as desigualdades gritam em meio a abraços, sorrisos, choros guardados e pedidos de esperança. O excesso de maquiagem revela e escancara o que precisa ser escondido. Dispenso fogos, brilhos e barulho mas aceito mais uma taça de champagne, por favor. Peito apertado, pés descalços a beira-mar, olhar no horizonte escuro, uma rosa branca na mão e o coração em oração.
Venha com força 2007, para todos nós!
13 dezembro 2006
"Meu pensamento não quer pensar
ele está com preguiça de se levantar
Depois de um sono tão profundo
é duro acordar e ver que no mundo
tudo é novidade, mas eu já conheço
Então volto a dormir que é pra ver
se me esqueço
Que meu pensamento não quer pensar
e para aprender eu vou ter que apanhar
pois só assim que o ser humano evolui
Só assim serei o que nunca fui
Tudo é tão velho e eu ainda nem nasci
O tempo nunca passou e eu nem percebi
Que o meu pensamento não vai pensar
enquanto eu não fizer seu coração vomitar
toda a consciência que não o deixa em paz
com os mesmos padrões de séculos atrás
com as mesmas paixões por coisas
absolutamente banais..."
Meu pensamento não quer pensar
Paulinho Moska
ele está com preguiça de se levantar
Depois de um sono tão profundo
é duro acordar e ver que no mundo
tudo é novidade, mas eu já conheço
Então volto a dormir que é pra ver
se me esqueço
Que meu pensamento não quer pensar
e para aprender eu vou ter que apanhar
pois só assim que o ser humano evolui
Só assim serei o que nunca fui
Tudo é tão velho e eu ainda nem nasci
O tempo nunca passou e eu nem percebi
Que o meu pensamento não vai pensar
enquanto eu não fizer seu coração vomitar
toda a consciência que não o deixa em paz
com os mesmos padrões de séculos atrás
com as mesmas paixões por coisas
absolutamente banais..."
Meu pensamento não quer pensar
Paulinho Moska
07 dezembro 2006
O sentido é tanto que eu desapareço
Como os limiares dos sons, imagens e sensações
que depois de um certo limite
de intensidade e freqüência
são incapazes de serem percebidos
Imersa naquilo que só é, simplesmente,
não consigo me descolar de mim
Perdi minha porta de saída
para me olhar de fora
Sou, isso
Indo para lá, inevitavelmente
Como os limiares dos sons, imagens e sensações
que depois de um certo limite
de intensidade e freqüência
são incapazes de serem percebidos
Imersa naquilo que só é, simplesmente,
não consigo me descolar de mim
Perdi minha porta de saída
para me olhar de fora
Sou, isso
Indo para lá, inevitavelmente
04 dezembro 2006
eu não sou daqui também marinheiro
mas eu venho de longe e ainda
do lado de trás da terra
além da missão cumprida
vim só dar
despedida
filho de sol poente
quando teima em passear
desce de sal nos olhos
doente da falta de voltar
filho de sol poente
quando teima em passear
desce de sal nos olhos
doente da falta que sente do mar
vim só dar despedida
vim só dar despedida
Despedida- Marcelo Camelo
mas eu venho de longe e ainda
do lado de trás da terra
além da missão cumprida
vim só dar
despedida
filho de sol poente
quando teima em passear
desce de sal nos olhos
doente da falta de voltar
filho de sol poente
quando teima em passear
desce de sal nos olhos
doente da falta que sente do mar
vim só dar despedida
vim só dar despedida
Despedida- Marcelo Camelo
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