Não sei sentir, não sei ser humano,
não sei conviver de dentro da alma triste, com os homens,
meus irmãos na terra.
Não sei ser útil, mesmo sentindo ser prático, cotidiano, nítido.
Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco, não sei qual, e eu sofri.
Eu vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos.
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda gente.
Mas para toda gente isso foi normal e institivo.
Para mim sempre foi a exceção, o choque, a válvula, o espamo.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto demais ou de menos.
Seja como for a vida, de tão interessante que é a todos os momentos,
a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
a dar vontade de dar pulos, de ficar no chão,
de sair para fora de todas as casas,
de todas as lógicas, de todas as sacadas
e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos.
álvaro de campos, "passagem das horas"
17 agosto 2006
16 agosto 2006
15 agosto 2006
14 agosto 2006
Sonho impossível
versão de Chico Buarque e Ruy Guerra
cantada por Maria Bethânia
Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite provável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã este chão que eu deixei
Por meu leito e perdão
Por saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
versão de Chico Buarque e Ruy Guerra
cantada por Maria Bethânia
Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite provável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã este chão que eu deixei
Por meu leito e perdão
Por saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
12 agosto 2006
É isso?
Isso que não ouso dizer o nome
Isso que dói quando você some
Isso que brilha quando você chega
Isso que não sossega, que me desprega de mim
Isso tem de ser assim...
Isso que carrego pelas ruas
Isso que me faz contar as luas
Isso que ofusca o sol
Isso que é você e sou sem fim
Isso tem de ser assim...?
(Isso, Chico César)
Isso que não ouso dizer o nome
Isso que dói quando você some
Isso que brilha quando você chega
Isso que não sossega, que me desprega de mim
Isso tem de ser assim...
Isso que carrego pelas ruas
Isso que me faz contar as luas
Isso que ofusca o sol
Isso que é você e sou sem fim
Isso tem de ser assim...?
(Isso, Chico César)
09 agosto 2006
Pro dia ter um pouco de sentido:
Quase Nada
Zeca Baleiro/ Alice Ruiz
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada
Quase Nada
Zeca Baleiro/ Alice Ruiz
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada
08 agosto 2006
02 agosto 2006
No sun will shine in my day today
(No sun will shine.)
The high yellow moon won't come out to play
(Won't come out to play.)
Darkness has covered my light (and has changed,)
And has changed my day into night
Now where is this love to be found, won't someone tell me?
'Cause life, sweet life, must be somewhere to be found, yeah
Instead of a concrete jungle where the livin' is hardest
Concrete jungle, oh man, you've got to do your best, yeah.
No chains around my feet, but I'm not free
I know I am bound here in captivity
And I've never known happiness, and I've never known sweet
caresses
Still, I be always laughing like a clown
Won't someone help me?
Cause, sweet life, I've, I've got to pick myself from off the
ground, yeah
In this here concrete jungle,
I say, what do you got for me now?
Concrete jungle, oh, why won't you let me be now?
I said that life must be somewhere to be found, yeah
Instead of a concrete jungle, illusion, confusion
Concreate jungle, yeah
Concrete jungle, you name it, we got it, concrete jungle now
Concrete jungle, what do you got for me now
Bob Marley, Concrete Jungle
(No sun will shine.)
The high yellow moon won't come out to play
(Won't come out to play.)
Darkness has covered my light (and has changed,)
And has changed my day into night
Now where is this love to be found, won't someone tell me?
'Cause life, sweet life, must be somewhere to be found, yeah
Instead of a concrete jungle where the livin' is hardest
Concrete jungle, oh man, you've got to do your best, yeah.
No chains around my feet, but I'm not free
I know I am bound here in captivity
And I've never known happiness, and I've never known sweet
caresses
Still, I be always laughing like a clown
Won't someone help me?
Cause, sweet life, I've, I've got to pick myself from off the
ground, yeah
In this here concrete jungle,
I say, what do you got for me now?
Concrete jungle, oh, why won't you let me be now?
I said that life must be somewhere to be found, yeah
Instead of a concrete jungle, illusion, confusion
Concreate jungle, yeah
Concrete jungle, you name it, we got it, concrete jungle now
Concrete jungle, what do you got for me now
Bob Marley, Concrete Jungle
01 agosto 2006
NÃO SOLTAR OS CAVALOS
Como em tudo, no escrever também tenho uma espécie de receio de ir longe demais. Que será isso? Por que? Retenho-me, como se retivesse as rédeas de um cavalo que pudesse galopar e me levar Deus sabe onde. Eu me guardo. Por que e para quê? Para o que estou eu me poupando? Eu já tive clara consciência disso quando uma vez escrevi: "é preciso não ter medo de criar". Por que o medo? Medo de conhecer os limites de minha capacidade? Ou medo do aprendiz de feiticeiro que não sabia como parar? Quem sabe, assim como uma mulher que se guarda intocada para dar-se um dia ao amor, talvez eu queira morrer toda inteira para que Deus me tenha toda.
Clarice Lispector, em "Para não esquecer"
Como em tudo, no escrever também tenho uma espécie de receio de ir longe demais. Que será isso? Por que? Retenho-me, como se retivesse as rédeas de um cavalo que pudesse galopar e me levar Deus sabe onde. Eu me guardo. Por que e para quê? Para o que estou eu me poupando? Eu já tive clara consciência disso quando uma vez escrevi: "é preciso não ter medo de criar". Por que o medo? Medo de conhecer os limites de minha capacidade? Ou medo do aprendiz de feiticeiro que não sabia como parar? Quem sabe, assim como uma mulher que se guarda intocada para dar-se um dia ao amor, talvez eu queira morrer toda inteira para que Deus me tenha toda.
Clarice Lispector, em "Para não esquecer"
28 julho 2006
27 julho 2006
17 julho 2006
Como de costume, habitar outros mundos era pelo que ela ansiava e esperava por uma mão para guiá-la por aí... Ela imaginava como seria quando encontrasse aquele lugar, aquele cheiro, aquele sabor. Ela conseguia imaginar como seria, ela sabia sonhar. "Somos sempre tentados a limitarmo-nos a sonhar", ele disse. Ela achou bonito (ela, ao lado dele, conseguia ver a beleza das coisas)...
Ela estava animada, um ânimo diferente de quando deitava a cabeça no travesseiro e vivia o mundo que ela mesmo criava. Quando olhou-se no espelho, sentiu uma familiaridade com aquilo que viu, sentiu que aquele era o seu lugar. O seu corpo era o mundo que podia habitar, e só. Aquele corpo era o seu lugar no mundo.
A mão que poderia guiá-la era a dela: ela poderia tocar as coisas, alcançá-las, sentir suas formas e temperatura. Suas mãos poderiam criar, ferir, acarinhar, destruir. Ela via e sentia com as mãos: elas tinham olhos, tato, línguas, audição; elas farejavam para saber onde se segurar e do que fugir; apontavam para seus pés, mostrando que eles poderiam levá-la para além-mundo.
Andando, ela passou a tatear para encontrar mãos que não a guiassem, mas que provocassem seu encontro com o mundo- que era esse, só.
Ela estava animada, um ânimo diferente de quando deitava a cabeça no travesseiro e vivia o mundo que ela mesmo criava. Quando olhou-se no espelho, sentiu uma familiaridade com aquilo que viu, sentiu que aquele era o seu lugar. O seu corpo era o mundo que podia habitar, e só. Aquele corpo era o seu lugar no mundo.
A mão que poderia guiá-la era a dela: ela poderia tocar as coisas, alcançá-las, sentir suas formas e temperatura. Suas mãos poderiam criar, ferir, acarinhar, destruir. Ela via e sentia com as mãos: elas tinham olhos, tato, línguas, audição; elas farejavam para saber onde se segurar e do que fugir; apontavam para seus pés, mostrando que eles poderiam levá-la para além-mundo.
Andando, ela passou a tatear para encontrar mãos que não a guiassem, mas que provocassem seu encontro com o mundo- que era esse, só.
16 julho 2006
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar.
Quero assistir o sol nascer,
Ver as águas dos rios correr,
Ouvir o pássaros cantar,
Eu quero nascer, quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar.
Se alguém por mim perguntar,
Diga que eu só vou voltar
Depois que eu me encontrar...
Quero assistir o sol nascer,
Ver as águas dos rios correr,
Ouvir o pássaros cantar,
Eu quero nascer, quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar.
Cartola_Preciso me encontrar
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar.
Quero assistir o sol nascer,
Ver as águas dos rios correr,
Ouvir o pássaros cantar,
Eu quero nascer, quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar.
Se alguém por mim perguntar,
Diga que eu só vou voltar
Depois que eu me encontrar...
Quero assistir o sol nascer,
Ver as águas dos rios correr,
Ouvir o pássaros cantar,
Eu quero nascer, quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar.
Cartola_Preciso me encontrar
10 julho 2006
Hoje a natureza teve uma crise de choro, dessas que lava a alma. Eu gosto de chuva, da mesma forma que eu gosto do calor e do frio também. Eu preciso de ciclos. Preciso sentir minha ovulação, minha tensão pré-menstrual, minha menstruação e a sensação que vem depois dela.
Lembrei do filme “Primavera, verão, outono, inverno e... primavera”, do diretor coreano Kim Ki-Duk. É um filme bonito, permeado pela filosofia zen-budista, que conta a história de um monge-aprendiz que vive com seu mestre num templo flutuante e, sincronizado à natureza, vai lidando com seu crescimento e aprendizado. A fotografia é linda e o enredo é bonito por ser simples: por mostrar a violência, o desejo, o medo, o amor com a mesma naturalidade que mostra os ciclos da natureza.
A natureza é mulher: é fértil, é regida por regras, tem a potência criativa latente e precisa do homem para fecundá-la. A mulher tem sua natureza: é frágil, é forte, sabe cuidar e precisa ser cuidada. Ser mulher, naturalmente, é sentir e viver os ciclos da sua natureza.
Lembrei do filme “Primavera, verão, outono, inverno e... primavera”, do diretor coreano Kim Ki-Duk. É um filme bonito, permeado pela filosofia zen-budista, que conta a história de um monge-aprendiz que vive com seu mestre num templo flutuante e, sincronizado à natureza, vai lidando com seu crescimento e aprendizado. A fotografia é linda e o enredo é bonito por ser simples: por mostrar a violência, o desejo, o medo, o amor com a mesma naturalidade que mostra os ciclos da natureza.
A natureza é mulher: é fértil, é regida por regras, tem a potência criativa latente e precisa do homem para fecundá-la. A mulher tem sua natureza: é frágil, é forte, sabe cuidar e precisa ser cuidada. Ser mulher, naturalmente, é sentir e viver os ciclos da sua natureza.
08 julho 2006
05 julho 2006
Uma das primeiras coisas que fui foi ser filha de Iemanjá. Nasci Marina morena do Caymmi, Marina do mar. Sou filha da cidade grande, cidade do concreto, da solidão no meio da multidão. Mas uma das primeiras coisas que fui foi ser filha de Iemanjá: rainha generosa das águas, deusa da fecundidade, fertilidade, transformação, amor. Tenho um respeito e um fascínio pelo mar que me arrepia a pele quando coloco o pé na areia. O mar me inspira, me ensina a ter paciência, me faz acreditar na minha força. Mesmo no meio do concreto, o que me rege é a vibração do mar...
Odoiá Iemanjá!
... saudades do Mar.
04 julho 2006
não tenho tido muita vontade de escrever.
estou preocupada, eu sei, mas não sei com o quê eu ando me ocupando. vou para lá, volto pra cá, arrumo meu guarda-roupa, ouço algumas músicas, faço umas listas do que eu preciso e quero fazer, mas mesmo assim não me contento, não sei o que é!
algumas conversas, alguns esclarecimentos, vagas lembranças... sonhos?! poucos...
durmo até tarde, quando acordo não sei o quê vestir, quero ir até aí- mas não hoje.
apareço, vejo que as coisas estão iguais, pouca coisa mudou: algumas histórias diferentes, mas os mesmos dramas.
o ar está seco, o vento gelado e minhas mãos, frias.
"faz tempo que eu não choro", pensei antes de dormir.
e, quando acordei, estava com minha garganta doendo.
estou preocupada, eu sei, mas não sei com o quê eu ando me ocupando. vou para lá, volto pra cá, arrumo meu guarda-roupa, ouço algumas músicas, faço umas listas do que eu preciso e quero fazer, mas mesmo assim não me contento, não sei o que é!
algumas conversas, alguns esclarecimentos, vagas lembranças... sonhos?! poucos...
durmo até tarde, quando acordo não sei o quê vestir, quero ir até aí- mas não hoje.
apareço, vejo que as coisas estão iguais, pouca coisa mudou: algumas histórias diferentes, mas os mesmos dramas.
o ar está seco, o vento gelado e minhas mãos, frias.
"faz tempo que eu não choro", pensei antes de dormir.
e, quando acordei, estava com minha garganta doendo.
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