23 abril 2009

VERANIL
VEROSSÍMIL
VIRIL?
VIL!
PAVIO

17 abril 2009

Abraçei o mar na lua cheia
Abraçei o mar
Abraçei o mar na lua cheia
Abraçei o mar
Escolhi melhor os pensamentos, pensei
Abraçei o mar
É festa no céu é lua cheia, sonhei
Abraçei o mar
E na hora marcada
Dona alvorada chegou para se banhar
E nada pediu, cantou pra o mar (e nada pediu)
Conversou com mar (e nada pediu)
E o dia sorriu...
Uma dúzia de rosas, cheiro de alfazema
Presente eu fui levar
E nada pedi, entreguei ao mar (e nada pedi)
Me molhei no mar (e nada pedi) só agradeci

AGRADECER E ABRAÇAR
Maria Bethânia

30 março 2009

MAS A VIDA É REAL E DE VIÉS

01 março 2009

Angustia - Salvador Dali

19 fevereiro 2009

Bastidores
Chico Buarque

Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim
E me tranquei no camarim
Tomei o calmante, o excitante
E um bocado de gim

Amaldiçoei
O dia em que te conheci
Com muitos brilhos me vesti
Depois me pintei, me pintei
Me pintei, me pintei

Cantei, cantei
Como é cruel cantar assim
E num instante de ilusão
Te vi pelo salão
A caçoar de mim

Não me troquei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que tu nunca mais vais voltar
Vais voltar, vais voltar

Cantei, cantei
Nem sei como eu cantava assim
Só sei que todo o cabaré
Me aplaudiu de pé
Quando cheguei ao fim

Mas não bisei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que nunca mais vais voltar

Cantei, cantei
Jamais cantei tão lindo assim
E os homens lá pedindo bis
Bêbados e febris
A se rasgar por mim

Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim

08 janeiro 2009

Uma parte de mim é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim é multidão:

outra parte estranheza e solidão.
Uma parte de mim pesa, pondera:

outra parte delira.
Uma parte de mim almoça e janta:

outra parte se espanta.
Uma parte de mim é permanente:

outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem:

outra parte, linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte

— que é uma questão de vida ou morte —
será arte?

Ferreira Gullar

25 novembro 2008

ISSO TAMBÉM VAI PASSAR.

07 novembro 2008

"Não sei como me defender dessa ternura que cresce escondido e, de repente, salta para fora de mim, querendo atingir todo mundo. Tão inesperada quanto a vontade de ferir, e com o mesmo ímpeto, a mesma densidade. Mas é mais frustrante. Sempre encontro a quem magoar com uma palavra ou um gesto. Mas nunca alguém que eu possa acariciar os cabelos, apertar a mão ou deitar a cabeça no ombro. Sempre o mesmo círculo vicioso: da solidão nasce a ternura, da ternura frustrada a agressão, e da agressividade torna a surgir a solidão. Todos os dias o ciclo se repete, às vezes com mais rapidez, outras mais lentamente. E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim."

Caio Fernando Abreu

19 setembro 2008

Posso estar só
Mas, sou de todo mundo
Por eu ser só um
Ah, nem! Ah, não! Ah, nem dá!
Solidão, foge que eu te encontro
Que eu já tenho asa
Isso lá é bom, doce solidão?
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Doce Solidão
Marcelo Camelo

05 agosto 2008

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PRÓ-CESSAR?
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(ou: a morte transforma a vida em destino,
já diria Sartre, não lembro com quais palavras...)
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30 julho 2008

DA POESIA,
PÓ E AZIA.


SÓ.

27 abril 2008

22 abril 2008


Marina cadê a flor que arranquei pra lhe ofertar?
Marina cadê o amor que ocê tem e não quer me dar?

E ela foi embora levando poeira
E à minha maneira eu tento viver
Tocando a viola um pouco mais triste
Se alegria existe, Marina cadê?

Se a alegria existe
Teresa Cristina e Grupo Semente

imagem: Girassol, Gustav Klimt

08 abril 2008

"até que viesse uma justiça um pouco mais doida. uma que levasse em conta que todos temos que falar por um homem que se desesperou porque neste a fala humana já falhou, ele já é tão mudo que só o bruto grito desarticulado serve de sinalização. uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo. sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento. uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado. na hora de matar um criminoso- nesse instante está sendo morto um inocente. não, não é que eu queira o sublime, nem as coisas que foram se tornando as palavras que me fazem dormir tranquila, mistura de perdão, de caridade vaga, nós que refugiamos no abstrato. o que eu quero é muito mais áspero e mais difícil: quero o terreno."
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trecho do texto "Mineirinho", de Clarice Lispector, em "Para não esquecer"

25 março 2008

AMANHECENDO
Logo de manhã, bom dia...
Logo de manhã, bom dia...
Um dia quero mudar tudo
No outro eu morro de rir
Um dia tô cheia de vida
No outro não sei onde ir
Um dia escapo por pouco
No outro não sei se vou me livrar
Um dia esqueço de tudo
No outro não posso deixar de lembrar
Um dia você me maltrata
No outro me faz muito bem
Um dia eu digo a verdade
No outro não engano ninguém
Um dia parece que tudo
Tem tudo prá ser o que eu sempre sonhei
No outro dá tudo errado
E acabo perdendo o que já ganhei
Logo de manhã, bom dia...
Logo de manhã, bom dia...
Um dia eu sou diferente
No outro sou bem comportada
Um dia eu durmo até tarde
No outro eu acordo cansada
Um dia te beijo gostoso
No outro nem vem que eu quero respirar
Um dia quero mudar tudo no mundo
No outro eu vou devagar
Um dia penso no futuro
No outro eu deixo prá lá
Um dia eu acho a saída
No outro eu fico no ar
Um dia na vida da gente
Um dia sem nada de mais
Só sei que eu acordo e gosto da vida
Os dias não são nunca iguais!
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Bom dia
(Composição de Swami Jr e Paulo Freire)

12 fevereiro 2008

EX-PRESSÃO é PRÓ-CURA

24 dezembro 2007

"A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber por que, e desde aí perde o poder de continuação - porque a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada."
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Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas
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VENHA COM FORÇA 2008, PARA TODOS NÓS!
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16 dezembro 2007

Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível
E o que eu desejo é luz e imaterial.
Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?
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Hilda Hilst